Há diferença entre psicologia clínica e psicologia da saúde?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ACADÊMICAS: BRUNA CORSANI,

DAYANNE CAMPIGOTTO,

PRISCILA DE SOUZA e

ROSENILDA DA SILVA WOLFF

PSI 23

Dentro da Psicologia Clinica, se inclui a Psicanálise. Trazemos aqui um breve resumo do livro “O complexo de Édipo (Freud e a multiplicidade edípica)”, o qual explica detalhadamente as etapas do complexo de Édipo. Este resumo facilitará seu entendimento e aguçará sua vontade em aprofundar-se no complexo. Logo, ao final você encontra um glossário do livro e suas referências.

SÍNTESE

O Complexo de Édipo:

Freud e a Multiplicidade Edípica.

As interpretações das leituras de Freud são infinitas e múltiplas. O saber de Freud é intempestivo e também trans-discursivo, vai além das épocas e das marcações culturais.

Para o complexo de Édipo existem vários conceitos, mais apenas na obra Freudiana receberam significação original e fundador. A expressão se funde com o campo inteiro da Psicanálise. Para iniciar a teoria, Freud partiu da descoberta de que os humanos se organizam psiquicamente através de um complexo nuclear, e supõe que os mitos e lendas se constituem com o variante de uma mesma estrutura, o inconsciente. É a partir da lenda de “Édipo” teatralizada por Sófocles e sua auto-análise que Freud baseia sua teoria.

Para Freud o complexo de Édipo é o conceito que funda, que acolhe, subsumi a especificidade dos humanos e suas relações mais importantes, o que os marca como essencialmente humanos subjetivados.

O desejo do Édipo é eliminar o pai e possuir a mãe. O incesto é o desejo de introjetar completamente, possuir aquela que o gerou e eliminar quem se põe como obstáculo. Mas o discurso psicanalítico distingue o permitido do proibido. O próprio filho, mesmo antes de poder ter acesso ao discurso verbal, à memória da ordem conceitual aprenderá regras e comportamentos que deverá seguir permanentemente, que serão sua destinação. O Complexo de Édipo de certa forma tem uma função fundamental, tanto para indivíduos quanto para grupos, ele evita que a energia sexual (a libido) circule desgovernadamente, que essa energia siga em sua busca de prazer a qualquer preço. É sob o complexo que a vida social se torna tolerável. É desse modo que nasce a família e a ordem familiar, bem como a cultura e as relações sociais.

Freud, usa o conceito de representações para se referir ao modo como os termos se apresentam para a compreensão; e como se apresentam inconscientemente e quando isso acontece as representações atravessam pela ordem do prazer e do recalque. Essa teorização exige que compreendamos as experiências psíquicas, sempre em segunda, ou seja experiências que já tivemos. As experiências psíquicas são as que se inscrevem no aparelho psíquico, mas que já foram marcadas pela experiência anterior do prazer. É através da memória que podemos recordar, lembrar algo que já foi experimentado.

Para Freud, o prazer é uma marca, uma sensação que deixa trilhas, que tenderão a ser retrilhadas, assim vão constituir o sistema de representações e só podem entrar nele se mantiver as características do sistema e o sistema se dá de acordo com a busca do prazer, da sua repetição e de suas condições de reproduções.

Freud postula que o psiquismo funciona como sistema que gera prazer, mas de forma homeostática, e mantém uma quantidade de energia constante, e se essa energia aumenta, proporciona um sentimento de desprazer.

É o sistema de representações que dá a característica de representação ao fato, porém o complexo nuclear só ganha estatuto de expressão quando se remete aos fatos vividos pelo próprio sujeito. O fato ganha valor eventual somente após se estabelecer edipicamente.

Há uma questão importante que foi discutida no livro que foi: se os sentires e fazeres do personagem Édipo, são os mesmos dos dias atuais, e se existe um inconsciente universal, que determina os humanos subjetivados em todos os momentos da história até os dias de hoje, ou se isso ocorre com vários regimes de produção inconsciente, dependendo do meio social, político, psíquico ou social de cada individuo?

Podemos ver com essa leitura, que cada estudioso tem uma opinião diferente a respeito do Complexo de Édipo. Para o antropólogo Bronislaw Malinowski (1848-1942), o CdE, existia sim, mas depende do contexto cultural onde cada individuo está inserido, a partir dai se forjaria cada tipologia psicológica, ele se opôs a interpretação de Freud. Já para o Psicanalista e etnólogo Húngaro Geza Róheim (1891-1953), analizando de Ferenczi, os objetos com que o individuo precisa lidar são intermediários, ambivalentes ou duais: narcísico e objetos de cultura. Narcísicos pois são libidinais e de cultura, pois brincados pelo individuo

No interior de suas culturas múltiplas. E ao contrário de Malinowski, ele acredita que os indivíduos estaria desde de sempre destinados ao CdE, pelo pré-édipo.

Jean-Pierre Vernant (1914-2007), para ele quando houve a criação da lenda edípica, os gregos começaram a interiorizar sua responsabilidade própria, autônoma, sobre os atos que lhes adivinhariam desde ou pelos deuses. Ele acredita que os gregos distinguiam rigorosamente entre eros e philia, dois tipos de amor e desejo. Amor e desejos esses, familiares e não incestuosos.

Para Michel Focault (1926-1984), precisaríamos de mais evidências, para conhecermos verdadeiramente, a história de Édipo, representado por Sófocles. A Psicanálise procuraria a verdade de Édipo, enquanto Focault, se propõe a pensar e a buscar a verdade para Édipo, ou seja, para nós. Ele diz, não haver transparência na cultura, por mais que pensamos saber tudo sobre ela, não existe cultura aonde se pode falar tudo e sobre qualquer coisa.

Para a teoria psicanalítica, o momento crucial da constituição do sujeito situa-se no campo da cena edípica. O complexo de Édipo existe para tentar domesticar os impulsos incestuosos, e estes são permanentes. Complexo e proibição de incesto estão definitivamente soldados, e é tal paradoxo que Freud sustenta na sua teorização.

Se nos voltarmos para a clínica freudiana, veremos que o Complexo de Édipo é um grande (e, segundo Freud, universal) instrumento de dupla ação: domestica as pulsões e lhes aplica limites necessários; mas não tem como contê-los inteiramente. Freud também dirá que o enquadramento nos sistemas de parentesco e a proibição do incesto estarão sempre desafiados pelo incondicional da anexação dos outros, visto que já nascemos destinados pelo outro, forma principal de produção de cultura.

GLOSSÁRIO:

O Complexo de Édipo

Freud e a Multiplicidade Edípica.

Castração - “ Para Freud, conjunto das consequências subjetivas, principalmente inconsciente, determinadas pela ameaça de castração, no homem e pela ausência de pênis na mulher.” (Chemama, 1995, p.30).

Complexo “Conjunto de sentimentos e representações, parcial ou totalmente inconsciente, dotado de uma potência afetiva que organiza a personalidade de cada um, marca seus objetivos e orienta suas ações.” (Chemama, 1995, p.33).

Complexo de Édipo - “É um desejo sexual próprio de um adulto, vivido na cabecinha e no corpinho de uma criança de quatro anos e cujo objetivo são os pais.” (...) “É a primeira vez na vida que a criança conhece um movimento erótico de todo o seu corpo em direção ao corpo do outro.”

(...)absorvida por um desejo sexual incontrolável, tem de aprender a limitar seu impulso e ajustá-lo aos limites de seu corpo imaturo, aos limites de sua consciência nascente, aos limites de seu mesmo e, finalmente, aos limites de uma Lei tácita que lhe ordena que pare de tomar seus pais por objetos sexuais. Eis então o essencial da crise edipiana: aprender a canalizar um desejo transbordante. (Laplanche e Pontalis, 2001, p.77).

Desejo – “Falta inscrita na palavra e efeito da marca do significante sobre o ser falante. Em um sujeito, o lugar de onde vem sua mensagem linguística é chamado de outro, parental ou social. Ora o desejo do sujeito falante é o desejo do outro.” (Chemama, 1995, p. 42).

Inconsciente – “Conteúdo ausente, em um dado momento instância constituída de elementos recalcados.” (Chemama, 1995, p.106).

Instinto – “a) Classicamente, esquema de comportamento herdado, próprio de uma espécie animal, que pouco varia de um individuo para outro, que se desenrola segundo uma sequência temporal parece corresponder a uma finalidade.

b) Termo utilizado por certos autores psicanalíticos como tradução ou equivalente do termo freudiano Trieb, para o qual numa terminologia coerente, convêm recorrer ao termo pulsão.” (Laplanche e Pontalis, 2001, p.241).

Libido – “Energia psíquica das pulsões sexuais, que encontram seu regime em termos de desejo.” (Chemama, 1995, p.126).

Pré-consciente – “Instância psíquica proposta por Sigmund Freud, após sua descoberta do inconsciente, para representar, no aparelho psíquico, um lugar intermediário entre o inconsciente e o consciente, necessário para assegurar o funcionamento dinâmico desse aparelho.” (Chemama, 1995, p. 164).

Psicanálise – “Disciplina fundada por Freud e na qual podemos, com ela distinguir três níveis:

a) Um método de investigação que consiste essencialmente em evidência o significado inconsciente das palavras, das ações, das produções imaginárias (sonhos, fantasias, delírios) de um sujeito. Este baseia-se principalmente nas associações livres do sujeito, que são a garantia da validade da interpretação. A interpretação psicanalítica pode estender-se a produções humanas para as quais não se dispõe de associações livres.

b) Um método psicoterápico baseado nesta investigação e especificado pela interpretação controlada da resistência, da transferência e do desejo. O emprego da Psicanálise como sinônimo de tratamento psicanalítico está ligado a este sentido; exemplo: começa uma psicanalise (ou uma análise).

c) Um conjunto de terias psicológicas e psicopatológicas em que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação e de tratamento.” (Laplanche e Pontalis, 1982, p.385).

Pulsão – “Na teoria analítica, energia fundamental do sujeito, força necessária ao seu funcionamento, exercida em sua maior profundidade. Como essa força se apresenta de muitas formas, é conveniente falar de pulsões em lugar de pulsão, exceto no caso em que esteja interessado em sua natureza geral – nas características comuns a toda pulsão.” (Chemama, 1995, p.177).

Representações – “Forma elementar daquilo que é inscrito nos diferentes sistemas do aparelho psíquico.” (Chemama, 1995, p.192).

Repressão – “Qualquer impulso, fora da consciência, de um conteúdo representado como despraze-roso ou inaceitável; ação do aparelho psíquico sobre o afeto.” (Chemama, 1995, p.192).

Referências:

Chemama, Roland (Org.). Dicionário de psicanálise. Porto Alegre : Editora Artes Médicas Sul, 1995.

Laplanche, Jean. Vocabulário da psicanálise. São Paulo : Livraria Martins Fontes, 2008.

domingo, 21 de novembro de 2010

COMPLEXO DE ÉDIPO: Freud e a multiplicidade edípica

CURSO: PSICOLOGIA (BACHARELADO) – TURMA PSI 23
DISCIPLINA: TEORIA E TÉCNICAS PSICANALÍTICAS
ACADÊMICAS: ANA CAROLINE B. DA SILVA
NOELI DO N. PATERNO
NATIELE SILVA


COMPLEXO DE ÉDIPO:
Freud e a multiplicidade edípica



1. INTRODUÇÃO

O Complexo de Édipo é um dos conceitos fundamentais da teoria e da clinica psicanalítica. Chama-se por complexo de Édipo, um determinado período de desenvolvimento sexual da criança, que ocorre aproximadamente aos três anos de idade, nesta fase ela volta seu desejo ao Outro, representado pelos pais do sexo oposto.
É um ponto primordial na estruturação da identidade sexual do ser humano e é nesse período que nos deparamos com as regras que nos permitem viver em sociedade, o rumo da história de nossas vidas se dará conforme a resolução dessa fase. Ou seja, quando o processo do édipo não é concluído com êxito, esse menino ou menina ficam presos a essa etapa da vida e a sequência de atos e acontecimentos que se passarão ao longo do tempo, demonstrarão/apresentarão dificuldades que estarão ligados ao desfecho do Complexo de Édipo.
Desta forma, nos atendimentos clínicos, a escuta dos pacientes, perpassa pela escuta do desenvolvimento psicossexual que irá se expressar no comportamento atual de cada ser humano. Escutar um paciente é fazer esse caminho inverso no tempo que nos leva a criança edipiana, e que nos conta a história dela, ou nos mostra seu andamento, e ver o Édipo como uma forma di nâmica que se recusa a desistir por completo e que por isso retorna em nossas relações.

2. RESUMO DO LIVRO

No livro “O Complexo de Édipo: Freud e a multiplicidade edípica” encontra-se um percurso em que são destacados os diversos momentos da construção do conceito, seus antecedentes, a maneira pela qual Freud, incorpora num conceito, intuições, ideias anteriores, avanços e recuos na abrangência que lhe atribui. A interpretação dos textos demonstra a progressiva, mas não linear, importância como eixo central que o complexo de Édipo adquirirá no final da obra freudiana e a universalidade e a transcendência que adquirirá. Também destaca a relação sujeito e cultura com referência à proibição do incesto, as mudanças do fator etiológico, a mudança na definição do tipo de objeto, o vai e vem do lugar ocupado pelos impulsos hostis, a complexidade crescente que o conceito de identificação adquire, a segunda teoria pulsional e o complexo de Édipo composto. Conclui esse trajeto relacionando num subtítulo a problemática edípica centrada no complexo de Castração, utilizando o mesmo método de leitura cuidadoso e exaustivo dos textos de Freud.
O autor Chaim Samuel Katz traz no contexto no referencial mencionado justamente as inúmeras “leituras” de Freud, pois como ele próprio nos ensinou, as interpretações são infinitas e múltiplas. Portanto, pensar em Freud, freudianamente, não é apenas repetir algum de seus muitíssimos interpretes, mas considerar que o campo de interpretação considera os signos, mas elabora também suas próprias condições de interpretar. Assim, um texto regressivo como o este, interessado na multiplicidade das naturezas produzidas por Freud, pode nos ensinar algo mais acerca do Édipo.
Freud não parte de uma análise do escrito de Sófoles, mas ao contrário, parte de sua própria descoberta de que os humanos se organizam psiquicamente através de um complexo nuclear e supõe que os mitos e lendas se constituem como variantes de uma mesma estrutura constituinte do psiquismo, que é inconsciente, ele a enuncia como o complexo nuclear do ser humano.
Ele também, reúne criativamente a lenda de Édipo e o conceito de “Complexo”. Tal conceito está difundido nos saberes neurológicos e psiquiátricos da época estando na emergência mais importante do que hoje conhecemos como psiquiatria dinâmica. Sabemos da originalidade da elaboração freudiana, mas vejamos que tais vertentes, não se podem ignorar, sob pena de não nos aproximarmos adequadamente da nossa questão.
Katz relata no livro que no inicio dos estudos de Freud, ele teve um sonho com a sua mãe e a sua babá, ele interpretou de forma clara esse sonho, que seria o amor por sua mãe e o ciúme pelo seu pai. Ele reconheceu em si mesmo um sentimento que é universal no início da infância, o chamado Complexo de Édipo. Conforme a lenda grega de Édipo que confirma que mesmo inconscientemente todos os seres humanos um dia foram ou serão um Édipo e que atualizam esse sentimento com o passar da infância.
Édipo na versão de Sófocles é o filho dos reis de Tebas, Jocasta e Laios e está predestinado a matar seu pai e esposar a mãe, sabendo disso o rei de Tebas não desejará ter um filho, mas sua esposa sim, então, encomendou a embriaguez de seu marido para que seu desejo fosse satisfeito. Ao nascer o menino foi levado para longe da sua casa e fora adotado por reis, mais tarde ao saber que era bastardo e da sua predestinação de matar seu pai e de casar-se com sua mãe, ele foge e acaba sem saber cumprindo o seu destino, mata o pai, desafia a esfinge e casa-se com a sua mãe.
Depois de tantos anos após dessas descobertas de Freud nos perguntamos se com tantas mudanças essas teorias não seriam equivocadas, mas ela se transforma de uma maneira que seja continuada e atualizada.
Katz ainda destaca a importância do Complexo de Édipo, tanto nos indivíduos como nos grupos sociais, para que seja controlada essa busca pelo prazer, que esse não seja o único e exclusivo desejo e que ele não seja desgovernado. O complexo delimita a libido e ela só se manifesta edipicamente, desse modo nasce as relações sociais e familiares.
Quando destaca a questão da moralidade, Katz conclui fazendo observações sobre a fantasia de castração que se manifesta por sentimentos que são universais, a culpa e a vergonha. Para se constituir humano e fazer parte de uma vida social seria essencial e até natural se sentir culpado e/ou envergonhado em casos de fartura ou luxúria.
Afirma-se hoje, na contemporaneidade, que culpa e vergonha devem, tem que ser sentimentos introjetados pelos sujeitos que merecem a subjetividade. Como isto não ocorre, será preciso pensar que mecanismos de constituição psíquica estão em ação. O Complexo de Édipo insiste, mas não é único.

3. GLOSSÁRIO

Convidamos a todos os leitores deste blog para uma leitura breve do glossário apresentado.

No atendimento terapêutico acontecem diversas situações, muitas delas ligadas ao Complexo de Édipo e da passagem dele na vida de cada paciente. O autor Chaim Samuel Katz do livro Complexo de Édipo: Freud e a multiplicidade edípica aborda a questão da conflitiva edípica explicando e detalhando todos os aspectos. Para uma compreensão adequada e com embasamento em autores confiáveis disponibilizamos abaixo um glossário com as principais palavras e expressões sobre este conteúdo.

Afeto: “Termo que a Psicanálise foi buscar na terminologia alemã e que exprime qualquer estado afetivo, penoso ou desagradável, vago ou qualificado, quer se apresente sob forma de uma descarga maciça, quer como totalidade geral.” (Laplanche, 2001, p. 9)

Ambivalência: “presença simultânea, na relação com um mesmo objeto, de tendências, de atitudes e de sentimentos opostos, fundamentalmente o amor e o ódio”. (Laplanche, 2001, p. 17)

Aparelho Psíquico: “Expressão que ressalta certas características que a teoria freudiana atribui ao psiquismo: a sua capacidade de transmitir e de transformar uma energia determinada e a sua diferenciação em sistemas ou instâncias”. (Laplanche, 2001, p. 29)

Complexo de Édipo: “Conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança sente em relação aos pais. (…) o complexo apresenta-se como na história de Édipo-Rei: desejo da morte do rival que é a personagem do mesmo sexo e desejo sexual pela personagem do sexo oposto. Sob a sua forma negativa, apresenta-se de modo inverso: amor pelo progenitor do mesmo sexo e ódio ciumento pelo progenitor do sexo oposto. Na realidade essas duas formas encontram-se em graus diversos da chamada completa do complexo de Édipo”. (Laplanche, 2001, p. 77)

Desejo: “Termo empregado em filosofia, psicanálise e psicologia para designar, ao mesmo tempo, a propensão, o anseio, a necessidade, a cobiça ou o apetite, isto é, qualquer forma de movimento em direção a um objeto cuja atração espiritual ou sexual é sentida pela alma e pelo corpo. Em Sigmund Freud, essa idéia é empregada no contexto de uma teoria do inconsciente para designar, ao mesmo tempo, a propensão e a realização da propensão. Nesse sentido, o desejo é a realização de um anseio ou voto (wunsch) inconsciente.” (Roudinesco, 1998, p.146)

Falo: “Na antiguidade greco-latina, representação figurada do órgão sexual masculino”. (Laplanche, 2001, p. 166)

Fantasia: “Roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e em ultima análise, de um desejo inconsciente”. (Laplanche, 2001, p. 169)

Incesto: “Prática de relações sexuais entre parentes próximos, consanguíneos, cujo casamento é proibido por lei, como, por exemplo, entre pai e filha, mãe e filho, irmão e irmã”. (Zimermann, 2001, p. 211).

Inconsciente: “O inconsciente é por vezes para exprimir o conjunto dos conteúdos não presentes no campo efetivo da consciência, isto num sentido “descritivo” e não “tópico”, quer dizer, sem se fazer discriminação entre os conteúdos dos sistemas pré-consciente e inconsciente”. (Laplanche, 2001, p. 235)

Psicanálise: “Termo criado por Sigmund Freud, em 1896, para nomear um método particular de psicoterapia (ou terapia pela fala) proveniente do processo catártico (catarse) de Josef Breuer e pautado na exploração do inconsciente, com a ajuda da associação livre, por parte do paciente, por parte do psicanalista. Por extensão, dá-se o nome de psicanálise: 1. Ao tratamento conduzido de acordo com esse método. 2. À disciplina fundada por Freud (e somente a ela), na medida em que abrange um método terapêutico, uma organização clinica, uma técnica psicanalítica, um sistema de pensamentos e uma modalidade de transmissão do saber (analise didática, supervisão) que se apoia na transferência e permite formar praticantes do inconsciente. 3. Ao movimento psicanalítico, isto é, a uma escola de pensamento que engloba todas as correntes do freudismo.” (Roudinesco, 1998, p.603)

Pulsão: “Processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de motricidade) que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud, uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão); o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir a sua meta”. (Laplanche, 2001, p. 394)

Recalque: “Operação pela qual o sujeito procura repelir ou manter no inconsciente representações (pensamentos, imagens, recordações) ligadas a uma pulsão. O recalque produz-se nos casos em que a satisfação de uma pulsão – suscetível de proporcionar prazer por si mesma – ameaçaria provocar desprazer relativamente a outras exigências”. (Laplanche, 2001, p. 430)

Representação: “Termo clássico em filosofia e em psicologia para designar “aquilo que se representa, o que forma o conteúdo concreto de um ato de pensamento” e “em especial a reprodução de uma percepção anterior”. Freud opõe a representação ao afeto, pois cada um destes dois elementos tem destinos diferentes nos processos psíquicos”. (Laplanche, 2001, p. 448)

4. REFERÊNCIAS

Katz, Chaim Samuel. Complexo de Édipo: Freud e a multiplicidade edípica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.

Laplanche, Jean. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

Roudinesco, Elisabeth. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

Zimermann, David E. Vocabulário contemporâneo de psicanálise. Porto Alegre: Artmed, 2001.

sábado, 20 de novembro de 2010

Fit's Dance, a dança estranha do chiclete japonês

Publicidad Japonesa 4.flv

Publicidad japonesa, yogurt

Pensamento sobre Marketing & Mídia.

Sabemos que a mídia em todo o meio de comunicação nos afeta de alguma maneira.
Mas o que nós não podemos nos esquecer é que fato ela nos move para onde queremos ir, pois só usamos aquilo no qual nos identificamos o que chama a atenção de vários aspectos e o que nos faz se sentirmos bem. Longe de sermos fantoches da sociedade que não nos impõe o que devemos usar, mas sim nos da varias opções de escolha.
De fato vivemos em um mundo onde para trocarmos de roupa devemos levar em conta a ocasião, o clima, como queremos parecer e o que queremos transmitir para os outros. Filmes, propagandas, revistas, jornais. Outdoors, placas, panfletos, camisas, rádios, internet, carros e tudo o que pode ser usado para a promoção de algo não é apenas uma poluição visual, mas sim uma opção de escolha onde gera curiosidade em sabermos do que se trata o que esta a mostra.  
Propagandas repetitivas onde visamos varias e varias vezes nos torna outomáticos em decisões que temos de tomar dia a dia. Por exemplo, quando nos deparamos com uma situação em uma lanchonete ou barzinho, logo nos vem quase sempre o nome de um determinado refrigerante na cabeça. Este por sua vez você acha que é o mais gostoso, porem a diversos que existem na qual você não tem satisfação de provar por achar que é menos gostoso e por não estar freqüentemente nas telas de outdoors ou na televisão.

Outra forma de vermos como a propaganda em si nos afeta, e estarmos em um dia quente com clima abafado e logo nos vem à mente a famosa cerveja. Mas qual cerveja tomar?  Aquela que não aparece em lugar nenhum, a tal da marca fulera. Ou aquela onde esta sempre cercada de mulheres. Bom é difícil escolher, sarcasticamente falando.  
Hoje o mercado que mais rende e investe em propaganda é no campo automobilístico, onde este mercado gera milhões todos os anos com anúncios em TV e outdoors. Programas exclusivos mostram veículos semanalmente ou diariamente e como ele se sobre põe em relação dos demais.
Além deste temos outro mercado que também investe fortemente em propaganda, voltando ao que foi citado acima, o mercado de bebidas é fortemente armado com propagandas que  mechem com o nosso consciente e inconsciente, nos levando a gerar sede e gosto pelo produto. A visão é uma excelente capturadora de desejos, pois geralmente o que vemos queremos, onde o desejo de posse toma conta do “ser” o obrigando a ter o desejado.
Bom, não irei mais me demorar com este texto, mas espero que o que foi colocado faça você parar para pensar sobre o que a mídia faz, ela manipula, ou nos da opção de escolha. Outro exemplo para reflexão é no ramo da moda onde muitos podem pensar em ser algo fútil ou desnecessário. Além de ser a forma de pagamento de muitos costureiros e designers do mundo todo, também gerou a seu blazer ou casaquinho que você pensa ser simples. Um casado de cor azul simplesinho e sem importância momentânea, na verdade foi desenhado, costurado, medido, alinhado, lançado em alguma coleção, usado por poucos no lançamento e que hoje esta em qualquer loja para comprar com um preço acessível. Mas com a mesma importância daquele que acaba de ser lançado por algum grande salão da moda em qualquer parte do mundo.    

Obrigado por prestigiarem esta leitura e espero que o que foi colocado aqui sirva de alguma maneira para você ser usado no dia a dia.

Influencias da Mídia no Cotidiano.

Marx em seus escritos dizia que a desigualdade é resultado de uma exploração do trabalho assalariado por meio do controle político. Para ele o conflito entre os operários e os empresários é o fato mais importante da sociedade moderna e isto permite prever o desenvolvimento histórico. Marx tinha a idéia de que o homem encontra-se alienado em sociedade e, como tal, não se dá conta das condições materiais e nem simbólicas segundo as quais vive. Para ele as relações materiais são as responsáveis pela produção de valores, crenças, instituições, comportamentos e costumes do homem. Ou seja, todos os conceitos (valores e leis) de uma sociedade giram em torno das relações materiais.
Os meios de comunicação são instrumentos de mediação pois estão interpostos entre o homem/psiquismo e o mundo (aliás faz parte dele). Segundo Vigotsky o uso que o homem faz dos instrumentos gera uma reconstrução interna de operações externas. Isto é a internalização. Os meios de comunicação também têm por fins mediar a internalização de fatos e conceitos para o homem, visando e girando em torno das relações materiais.
Os conceitos transmitidos pela mídia ao sujeito são absorvidos se os símbolos utilizados pelos meios de comunicação forem internalizados e/ou aceitos pela sociedade. Existe então uma dialética pois estes conceitos continuamente internalizados geram atitudes que vão influenciar a mídia bem como sua atuação. Desta forma não somente a mídia influencia o homem e seu comportamento como o homem a influencia reciprocamente.
Nossa pesquisa avaliou quais os meios de comunicação (mídia) mais utilizados pela amostra, se estes meios exercem influencia sobre a mesma, se o homem percebe e/ou admite esta influencia e quais são os temas e aspectos que o sujeito mais observa na mídia e se ele realmente está a par do gira em torno dele.
Nossa pesquisa que contou com uma amostra composta por um N 114 teve como resultado os dados seguintes:

A faixa etária da mostra da nossa pesquisa foi 52% de 16 a 25 ano, 19% de 26 a 35 anos, 24% de 36 a 45 anos, 05% de 45 a 55 anos, 00% de 56 a 65 anos e 00% com mais de 65 anos.
Dentre a amostra, o número de pesquisados que utilizam os meios de comunicação: De jornal impresso, revista impressa, e rádio foram relevantes, 25% da amostra utilizam como principal meio de comunicação a tv e 50% utilizam a internet sendo que a maioria é do grupo controle de universitários.
Foi interessante peceber que 72% da amostra não se considera influênciado pela mídia e somente 28% se considera influenciado.
A maioria não se lembra em qeu voltou o que demostra acentuada a alienação política bem como me outra questão pode ser confirmado pelas respostas de não terem critério para escolher um candidato.


A maioria da amostra não acredita nas notícias assistem nos jornais. Apenas 1 pessoa acredita somente no jornal nacional.
87% da amostra não acredita que os meios de comunicação são partidários, e 13% acredita que são apartidários ( sem preferência política).
A maioria assiste a programas de entretenimento, novelas e um telejornal do horário.
Outro dado relevante é que grande parte da amostra, procura saber notícias de outras regiões nacionais, não sabendo na maioria das vezes o que acontece em sua própria região.
A amostra demostra que é influênciada acentuadamente pela moda e costumes impostos pela mídia principalmente no que tange o consumismo.
Dentre grandes acontecimentos ocorridos no país, expostos na mídia que dizem respeito a política, história, entretenimento, atualidades, tecnologia a amostra demostra saber em sua maioria somente.

A mídia alcançou um lugar dominante no dia-a-dia da nossa vida. Ela cria as demandas, orienta os costumes e hábitos da civilização, de maneira até então nunca vista. Mais do que divulgar um produto ou lançá-lo no mercado, a publicidade acabou desempenhando o papel de criar hábitos, modos de viver e de pensar, além de definir estilos, fabricar modelos identificatórios, testemunhando assim o poder das palavras e das imagens sobre os seres falantes. O papel de destaque da publicidade hoje não é sem relação com a organização do mundo globalizado, no qual a comunicação ascende a um lugar decisivo no circuito produtivo. A eficácia da publicidade, portanto, apóia-se na atual organização civilizatória e também no avanço tecnológico que, no caso da imagem, produz novidades cada vez mais sofisticadas ( Barroso, 2006)


Na sociedade contemporânea tem ocorrido o surgimento de uma nova produção da subjetividade em função da organização do cotidiano pela mídia (...)portanto, crianças, adolescentes e adultos alteram suas relações intersubjetivas a partir das influências que a mídia e a cultura exercem sobre todos(Campos e Souza 2003).


Na análise que Leontiev , (1978) faz do processo de alienação na sociedade, ele define como alienação um processo que ocorre de duas maneiras: pela dissociação entre o significado e o sentido das ações humanas e pela impossibilidade existente, para a grande maioria dos seres humanos, de apropriação das grandes riquezas materiais e não-materiais já existentes socialmente, bem como a não compreensão deste fato.

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